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RECEBI, EM FORMA DE DEPOIMENTO NO ‘ORKUT’, UMA VERDADEIRA CARTA DE AMOR, A QUAL REPUBLICO A SEGUIR, POR QUERER HOMENAGEAR MINHA MULHER, MARIA CLARA DINIZ, ESPECIALMENTE NA DATA DE HOJE: 16 DE JULHO DE 2007.
“Por que eu amo esta mulher?
Porque a conheci equilibrada e estável e a vi ser convertida em algo que ela nunca poderia ser verdadeiramente, invertendo todos os seus conceitos e valores, tornando-se uma criatura medrosa, mentirosa, controlada e controladora, agressiva e violenta, vivendo em função de uma pessoa e de sentimentos que lhe pareciam serem as coisas mais importantes do mundo, afastando-se de tudo e de todos a quem amava e que a amavam, renegando suas raízes e todos os seus valores cultivados durante toda a sua vida, inclusive sua auto-estima.
Porque eu a vi chegar ao ‘fundo do poço’ e usar este fundo para tomar impulso e vir à tona agarrando-se a uma mãozinha que ela vislumbrava estendida em sua direção.
E, após várias recaídas, sempre segurando firmemente naquela mão, ir retomando, lentamente, seus valores e conceitos morais, sua auto-estima, voltando às suas raízes e aos seus verdadeiros amores e amigos, que, nem por isso, deixaram de amá-la ou a amaram menos a cada dia.
Amo esta mulher porque vi o brilho voltar aos seus olhos, sua alegria de viver e o seu sorriso, radiante e lindo, voltar ao seu rosto, onde antes só havia sombras e lágrimas.
Vi a minha orquídea frágil e depauperada, sensível a qualquer lufada de vento, florescer lentamente, embora alguns jardineiros de má índole colocassem cizânia em suas raízes, e, transformar-se em um mandacaru forte e resistente a todas as intempéries, sem perder a beleza e a delicadeza da orquídea que sempre fora.
Amo esta mulher porque ela consegue despir-se da profissional altamente competente, segura de si e de sua liderança inata, para incorporar o espírito de uma criança e brincar com outra de quatro anos, como se tivera a mesma idade.
Porque ela consegue ser uma adolescente de quinze anos e disputar, em pé de igualdade com outra, o amor, carinho e atenção de sua mãe.
Porque ela consegue ser um moleque despretencioso e, ao mesmo tempo, uma mulher linda e sensual. Uma dama cheia de etiquetas, educadíssima, finíssima, gentilíssima, elegantíssima e, em seguida, ‘subir nas tamancas’ e transformar-se em uma ‘barraqueira’ vulgar e agressiva, fazendo uso de expressões chulas, impublicáveis, como se uma ‘vagabunda’ de rua fosse.
Amo esta mulher porque, juntas, já consumimos muitos lenços de papel, papel-toalha, guardanapos e já molhamos toalhas e lençóis no ombro uma da outra, sem precisarmos explicar porquê estávamos chorando, mas tendo sempre a certeza de que estávamos nos apoiando e sendo compreendidas.
Escrito por Barbara Carvalho às 09h09
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Porque ela consegue mentir para mim, olhando nos meus olhos, e sabendo que eu sei que ela está mentindo e que a verdade virá depois.
Porque ela é tão especial que, se não existisse, para ser criada, teríamos de pôr no mesmo caldeirão as mentes de Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Cassandra Rios, Nelson Rodrigues, Cazuza, Chico Buarque, Cecília Meirelles etc., e, ainda assim, seria algo apenas similar.
Amo esta mulher porque, apesar de ela ser uma louca, é a única pessoa a quem eu confiaria o que tenho de mais sagrado: a minha vida e a da minha filha e tenho certeza de que ela cuidaria muito melhor do que se dela fosse.
Enfim, eu a amo porque a conheço como um ser humano fantástico, com um coração enorme e uma série de defeitos imperdoáveis.
Porque ela é ela e não é para ser mudada ou redirecionada.
É para ser amada e respeitada, ou deixada, desde que seja inteira, porque ela é o que é, e é aí que está a sua beleza.”
(Escrito para Bárbara Carvalho, única mulher que amei em toda a minha vida, em 17/04/2007, num momento de rara inspiração. Maria Clara Diniz).

"Orquídea", Oscar López Guerra
Escrito por Barbara Carvalho às 09h08
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RESPONDI, À ÉPOCA, O QUE SEGUE:
“CRISTALINO, LINDO, SENSÍVEL NA QUALIDADE E NA EXPRESSÃO. RETRIBUO COM HUMILDE AGRADECIMENTO:
'Sensível agradecimento'
Uma declaração de amor não se escreve, é tecida, trama a trama, burilada em sonhos... forjada aos pedaços... ‘patch-work’ de pétalas, lampejos de memória. Ponto a ponto é bordada, com o orvalho da alma, com o perfume dos dias, com o aroma do ser, que, presente ou não, é notado, mesmo com olhos fechados... E os meus pares abrem-se, hoje, somente para chorar... Será assim... até quando?”
(escrito por Bárbara Carvalho para Maria Clara Diniz em 18/04/2007 – 01:20h da manhã).

“Tal como Eu vo-lo havia já dito, na parábola da cizânia (Mt 13, 24-30): não tenteis separar uma da outra, para que não aconteça que, colhendo a cizânia, com ela arranqueis também o trigo. Deixai que uma e outra cresçam, juntas, até à ceifa; e, no momento da ceifa, direi aos ceifeiros: "Colhei, antes, a cizânia e ligai-a em molhos, para a queimardes; o trigo, pelo contrário, colocai-o no Meu celeiro".”
“Campos de trigo com ciprestes” – Van Gogh (Óleo sobre tela)
Escrito por Barbara Carvalho às 09h05
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"SEM PESAR OU PENSAR"
Restou uma página branca, tábula rasa, sem letras,
Sem ideogramas, sem nada...
Um livro escrito a duras penas, sem final.
Ficaram quadros em branco e preto,
transmudados em borrões.
Ficaram cores desbotadas, esvaziadas de brilho,
tons pastéis demais...
Lembranças de sorrisos e lágrimas,
como pó que se esvaem de asas de borboletas.
Coisas que não mais são vistas, nem sentidas.
Ficou um ‘tanto-faz’ de vida e de morte...
E as águas que caem lá fora, nada lavam, nada varrem,
nada trazem, nem levam mais.
Não há mais o que esperar, sequer se sabe o que é a espera.
Não há nada a esquecer ou a lembrar...
Agora, realmente, como já foi dito por você mesma:
não há mais “pesar ou pensar”.
(escrito em 02/11/06, às 16:00h).

Escrito por Barbara Carvalho às 01h38
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