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             SONETO HELÊNICO             

 

 Tal o cavalo de Tróia, inventado por Odisseu,

 Recebemos amigos, feito um presente,

 Sem saber aquele querido ente

 Vilão com quem a mão lhe estendeu.

 

 Hipócrita, de alma vil e impotente,

 Não passa do Minotauro derrotado por Teseu.

 Astuto e dissimulado, cedo mostra o dente,

 Velhaco com quem mais lhe acolheu.

 

 O que fazer diante de voz tão pequena,

 Se sinto-me como, de Zeus, a Helena,

 Homenageada de Virgílio a Giraudoux?

 

 Teu chiste, bem fraco, supera a cadena?

 Diante dele, coitado, não faço cena

 Não passas daquela de Pompadour.

 "O falso amigo e a sombra só nos acompanham quando o sol brilha”.
 (Benjamin Franklin)



Escrito por Barbara Carvalho às 23h31
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  RECEITA DE VIDA 

 

 Ingredientes:

 Acréscimos e perdas

 Especiarias a gosto

 Temperos variados

 

 Modo de fazer:

 Misture bem os acréscimos e as perdas até obter uma mistura homogênea.

 Essa mistura deverá ter textura agradável ao toque, 

 ser prazerosa ao olfato e ao paladar.

 Quando essa massa estiver pronta, ela tanto será base para salgados ou doces,

 dependerá do que se quer servir.

 Adicione especiarias das mais diversas, a gosto.

 Recheá-la, também é a gosto.

 Se for recheá-la, tempere de acordo com o que usar como recheio.

 

 Leve ao forno para cozimento, por um período secular, 

 já que a porção etérea da vida é de difícil e lento cozimento.

 A porção etérea dessa massa homogênea obtida com muito remeximento

 é denominada espírito.

 Se a massa não cozer por inteiro, o espírito poderá tornar-se

desagradável ao paladar, enjoativo ao olfato e enfadonho à visão.

 Assim como, embatumado, não prestará o espírito para servir.

 Quando pronto, o espírito não é perecível.

 Se cozido por inteiro e, assim, tenro, prestar-se-á a servir eternamente.

 

 A coloração da massa variará de acordo com os tons dos diversos ingredientes utilizados

 e também com a paciência para ser assada. Deverá o ser, por inteiro.

 Não poderá ser queimada ou embatumada, pois a pressa, 

 a ansiedade e o desespero, até por servir, poderá pôr tudo a perder.

 

 Sua coloração poderá ser viva e forte, pastel e delicada,

 dependerá da preferência gastronômica de cada um e da capacidade de digerir.

 

 Vivazes ou opalinas, formarão belíssimo mosaico:

 A criatividade de cada mestre-cuca fará a massa vida

 mais ou menos bonita.

 

 O sabor dependerá da adequada escolha dos temperos adicionados:

 A vida poderá ser picante, agridoce, exótica, agradável ao paladar,

 Ou acre, amarga, azeda, zinábrica, indigesta.

 Dependerá da dosagem adequada de cada flavorizante.



Escrito por Barbara Carvalho às 23h34
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 Não há receita certa para a vida:

 Os ingredientes que compõem nossa história são, além de variados, intuitivos.

 Mas todos nós passamos por perdas e todos obtemos acréscimos

 das experiências que a vida nos proporciona.

 O bom e o ruim encontra-se na maneira como vemos as coisas pelas quais passamos,

 se as superamos, ou sucumbimos, se as enfrentamos ou perante elas acovardamo-nos.

 Do que delas extraímos. 

 De como são aproveitadas ou rejeitadas por nós.

 Não há vivência em vão: assim deve colorir-se a vida.

 E tudo o que nos faz perder, de um lado, por outro, acresce.

 E tudo o que acrescenta pode, também, nos fazer perder.

 O mais importante é saber que todo e qualquer acontecimento

 Tem, teve e terá sabor de vida bem cozida.

 “Quando a morte à luz me roube

 ganhe um momento o que perderam anos

 saiba morrer o que viver não soube”.

 Bocage



Escrito por Barbara Carvalho às 23h33
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               ESCRITORA                

 Não quero me tornar, se é que escritora sou, desses escritores medíocres 
 Que falam de si o tempo todo ou que escrevem com estilo único 
 Não quero que no primeiro “A” que pingue a pena saibam escrito por mim,

 Embora digam seja eu a “campeã” das antíteses...

 Procuro sempre saber o que pensam as pessoas sobre o que escrevo,
 Em boa hora pouco me importe o que as pessoas pensam
 e em boa hora, ainda, escreva, em primeiro lugar, para mim.

 Procuro vomitar letras de maneira eclética e musical,

 Mesmo sabendo que toda e qualquer música não agrade aos ouvidos.
 Tenho de falar de tudo, nem que intuitivamente,
 Gosto de mexer com tudo, desde que livremente,
 captar todo e qualquer leitor, despudoradamente,
 porque enquanto quero, também não quero ficar sabendo o que pensam.

 Quanto a publicar,

 Não penso em mera divulgação dos pensamentos

 Ou “ibope”.

 Acho que publico porque sou louca!

 

 

 “Só em linguagem amorosa agrada 
 A mesma coisa cem mil vezes dita.”

 Mário Quintana.


Escrito por Barbara Carvalho às 13h16
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