MAL QUE, DE DENTRO, VEM
Que mal que, de dentro, vem
Que persiste, que não passa
Desanima a pulsão dos sentidos
Desarvora o riso não contido
Derruba o tônus dos músculos
Torna opaca a luz do olhar?
Que mal que, de dentro, vem
E que se aloja e não se rompe
Devolve o choro reprimido
Aperta o peito já tão doído
Despedaça a força clara do dia
Faz da alma o brilho desmaiar?
Que mal que, de dentro, vem
E que se instala, que não falta?
Vem de mim?
Do que não há?
Vem do nada, vem de ninguém.
Apenas vem.

“Wheatfield with crows” – Vincent Van Gogh
Escrito por Barbara Carvalho às 12h25
[]
[envie esta mensagem]
[link]
ALGO
Hoje, algo me inunda de forma obscura
De maneira irremediavelmente depressiva.
Algo me encharca de uma desmotivação desmedida
De um desânimo de morte, de uma tristeza infinda.
Algo me estilhaça as emoções de maneira perplexa
Deixando-me inerte, sequer à beira do caminho.
Algo desfaz de mim as esperanças, as alegrias
Condenando-me, nefasto, ao fracasso e ao desgosto.
Algo de torpe vem me abater o destino
Entorpecendo previsões dantes alentadoras.
Algo me mostra que tudo de nada teve valia.
Algo me esvazia e reingressa em mim, voltando a esvaziar-me
Atormenta-me! E melhor teria sido não ter acordado.
"Geopoliticus Child Watching the Birth of Man" – Salvador Dalí
http:www.art.com/
Escrito por Barbara Carvalho às 14h53
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|